terça-feira, 28 de julho de 2026

QUE MORRAM TODOS PARA QUE VIVA O POVO

Que morram todos os ditadores,
populistas e demagogos
que ousam falar em nome do povo.

Que não  haja mais Estado,
que não sejamos mais manipulados,
nem o resultado de relações  de controle e  poder.

Que morram os ricos,
militares e políticos.
Longa vida aos pobres e oprimidos.
Que ninguém  ouse nos dizer
no que acreditar, como viver ou o que fazer.

Que a morte dos donos da razão  e do poder
faça  nascer liberdade em nossas vidas tão  sofridas e doloridas.












TEMPO DE LUTA

Não  acredito em arranjos eleitoreiros,
governos e projetos oligárquicos.
A república nega o povo,
cristaliza exclusões  e privilégios
e nos reduz a condição de explorados.

Nada mudará através do voto. 
O que transforma é a urgência das ruas
que um dia ainda nos levará a um ponto de ruptura.

A revolta é a essência da mais autêntica e direta ação  política e popular.
A ocupação permanente das ruas
é  uma alternativa a ilusão das urnas.
Mais do que nunca é tempo de luta.


segunda-feira, 27 de julho de 2026

TERRA LIVRE

A terra livre não  é  Estado,
não  é  pátria, prisão e trabalho.
Não  é  hierarquia, exploração e morte.

A terra livre não foi inventada pela Europa,
pelos brancos, pela civilização e pela ambição dos Senhores.

A terra livre não tem nome, nem definição. 
É  indigena, negra e mestiça.
É feita por todos e para  todos.
É território  de gentes, bichos e coisas.

Aqui germinam singularidades,
alianças e multi identidades,
onde tudo é  movimento,
transformação,
simulacro e mudança.

A terra livre é a concreta ilusão  que nos move...
É  o chão  que cura a ambição de Ícaro.












quinta-feira, 23 de julho de 2026

NA SOCIEDADE MODERNA, PÓS INDUSTRIAL, BRANCA E OCIDENTAL


Na sociedade moderna,
pós  industrial, branca e ocidental,
qualquer noção  de justiça beira a utopia.
A vida se confunde com a desigualdade
que sustenta a ordem com toda autoridade. 

A maioria sobrevive quase como coisa,
sem saúde, dinheiro e tempo,
vendo a existência passar em branco
com a cabeça cheia de sonhos,
lançando  esperanças  ao vento


terça-feira, 14 de julho de 2026

ASSASSINOS DE FARDA

Há assassinos que usam farda,
matam em nome do Estado
e da ordem pública.

São  inimigos da justiça  social,
da democracia e da liberdade.

Acreditam na morte,
 no caos e na guerra,
querem impor a sociedade
O arbítrio  e a ditadura.

Há  assassinos que tem poder de polícia. 
Mas não são menos assassinos,
menos cretinos e sociopatas por isso.

 




sábado, 4 de julho de 2026

OS NEGROS NÃO TEM PÁTRIA

Os negros não  celebram a história do Brasil.
Guardam por ela uma saudável  aversão. 
Pois seu alicerce é  o cativeiro, 
a supremacia branca e a opressão. 

Os negros abominam o colonialismo, 
o imperialismo, o eurocentrismo
 e a evangelização. 
Sabem que as luzes da razão 
iluminaram a escravidão. 
Por isso, não aceitam sem resistência 
o mito racista do Estado Nação. 

Os negros se aquilombam,
armam quizumba,
Querem ser livres.

Os negros não  tem pátria. 








sexta-feira, 3 de julho de 2026

TERRA INDIGENA

Este território é Tupã Nhe,   Kambaeté, Hutukara, Ticuna e Pindorama.
Tem tantos nomes quanto nações 
em sua vastidão inumana. 

Este território é terra é livre,
 selvagem e soberana.
Imune a bandeiras,
 Estados e fronteiras.

 Este território é terra indígena
invadida e sequestrada.



terça-feira, 30 de junho de 2026

DIA DE GREVE


Hoje é dia de luta de classes,
de questionar o trabalho,
nosso tempo roubado,
nosso cotidiano precário 
 e a escravidão do salário. 

A greve quebra a rotina,
para a produção e a cidade.
Afronta o patrão e o Estado.

É tempo de luto, revolta e protesto,
mas também é  momento de festa
 para o proletariado. 

É  dia de greve geral e irrestrita,
dia de brindar a liberdade, o ócio,
 de sonhar um tempo sem regra e relógio,
onde a vida se faça arte, criação e anarquia.

Hoje é  dia de luta de classes,
momento de radical e insurgente poesia.








sábado, 27 de junho de 2026

POEMA PARA A INSURREIÇÃO FUTURA


Sou herdeiro de Palmares
e de Canudos.
Acredito no povo organizado
contra o Estado.

Sei que a república  é um arranjo oligárquico.
Por isso não  acredito em politicos,
não  aposto em governos, partidos
conchavos e projetos nacionais.
Todo poder é  maldito.

A liberdade se conquista na rua e na marra, 
através da luta e do luto.






TERRA LIVRE

Meu território é  terra viva,
que sustenta  autonomias
e onde prospera a autogestão. 
Não  é Estado nação,
hino, bandeira e polícia. 

É  feito de povo
que não se reduz a população.
É  composta de gente que se organiza,
que cria mundos dentro do mundo,
que sempre defende e cultiva a vida.

Meu território é  terra livre e insubmissa.
É heteretopia libertária e ecologia.





terça-feira, 23 de junho de 2026

NA PERIFERIA...

Na periferia, não  se confia na polícia.
Pois a polícia, quase sempre, é  bandida.
Ninguém  acredita na lei, na ordem,
na cidadania ou na justiça. 

Na periferia, vale a lei do mais forte.
Governa a  opressão e o silêncio. 
Pois, na periferia, tudo é intenso, 
incerto  e violento.
Até o sorriso da criança inocente sentada na porta de casa sujeita a uma bala-perdida.