terça-feira, 22 de maio de 2018

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sábado, 19 de maio de 2018

A VIRTUDE DOS ANORMAIS



Os moradores de rua são parte da paisagem das grandes cidades. Mas muito pouco ou nada se sabe sobre eles. Constituem uma espécie de categoria outra de pessoas que a sociedade formal prefere ignorar ou, simplesmente, manter sob controle ou vigilância.

Afinal, não se enquadram como cidadãos consumidores ou reprodutores dos valores vigentes. São exatamente os anormais que escapam a normatização, espécie de piolhos sociais que denunciam o quanto a própria sociedade falha na realização de seus ideias. Por isso são tão importantes como sintoma da fragilidade da ordem vigente. 

Mesmo que não tenham plena consciência do seu não lugar na realidade social, sua presença é sempre um desafio as falácias e fantasias da dita " boa sociedade".

CRISE E IGNORÂNCIA SOCIAL

Em tempos de crise generalizada da vida coletiva, impõe-se as consciências mais inocentes a elementar constatação de que o Brasil é um país que não funciona.

Podemos culpar os políticos por isso. E não estamos de todo errado ao faze-lo. Mas é todo um projeto elitista e excludente de cultura e sociedade que está sendo posto em xeque. Trata-se de constatar a fragilidade e a miséria  de todos nós, tão acostumados a entender por ordem os absurdos e desmandos embutidos em relações de poder perversas, em uma estrutura jurídica que se afasta de qualquer ideal de justiça, em uma fome de lucro e sucesso que não mede consequências e, acima de tudo, na falta de discernimento de uma população acostumada a viver como uma manada.

O mais surpreendente é que coletivamente, mesmo feridos e cientes da gravidade da crise, insistimos a pensar e agir como bestializados. E é bom deixar claro que isto independente de opções ideológicas de direita ou esquerda. A miopia é a mesma.

ELOGIO AOS DESAJUSTADOS

A verdade é o princípio da máquina de poder estatal. A partir da verdade inventa-se a norma, tudo aquilo que pode e deve ser pensado. Todas as expressões da vida são reduzidas à relações de poder e todo nosso comportamento é pré determinado pela consagração da verdade e do aceitável.

Apenas os desviantes, os inadequados, ainda tem alguma chance de respirar um pouco de ar puro de existência. Mas eles jamais serão a maioria em uma sociedade.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

A VIOLÊNCIA ACONTECE ONDE A VIDA NÃO TEM VALOR

A violência não é apenas promovida pelos infratores, pelo " criminoso" , mas por toda sociedade, pela lei e a ordem. Afinal, poucos tem lugar na " boa sociedade" dos que vivem bem. O caos e a barbárie é sempre a regra da maioria. A vida não tem valor. E essa premissa ecoa cada vez mais forte por todos os cantos da existência coletiva. A violência é o resultado natural de todos os nossos absurdos sociais e culturais.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

O BRASIL QUE EU QUERO....


Em referência ao projeto o Brasil que eu quero patrocinado pela globo às vésperas de uma melancólica eleição presidencial, caso fosse destes, que embarcam em qualquer promoção midiática, faria um vídeo dizendo que o Brasil que eu quero é aquele de quem vive no estrangeiro, dos que não tomam conhecimento do tamanho da merda e meleca verde e amarela  que não para de crescer.

DESENCANTAMENTO NACIONAL

O crescimento da violência urbana é um sintoma da falência de uma  sociedade incapaz de reinventar a si mesma.

A violência é sempre o somatório de uma multiplicidade de injustiças e desmedidas. Seja a corrupção na administração pública e a precariedade dos serviços prestados à população, a falta de oportunidades, seja de emprego ou de realização pessoal, a falta de cultura e civilidade,   a ausência de perspectivas futuras e tudo mais que define a brutalidade de um cotidiano absurdo.Em um país de todos os tipos de miseráveis e angustiados a violência tende a se tornar uma moeda cotidiana. Afinal, as instituições não funcionam e a existência não tem muito brilho.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A DECADÊNCIA DA COMUNIDADE POLÍTICA



Os fatos políticos já não são mais “históricos” no sentido estabelecido pela racionalidade moderna. Não é mais possível derivar dele o sentido de um desenvolvimento progressivo e cumulativo. Já não avançamos em direção a panaceia de qualquer ideal de racionalidade ou de comunidade política.

Ao contrário disso, constatamos atônicos a decadência e a corrupção como vocação de todo sistema ou regime politico. Impera o eterno retorno, os ciclos de nascimento, crescimento e declínio, contra todas as idealizações e ideologias.

Constata-se, ainda, que a vida politica é frequentada pelos medíocres, pelos mais desqualificados a vocação pública.

terça-feira, 15 de maio de 2018

A DEMOCRACIA À SOMBRA DA DITADURA


A única vantagem da democracia é que formalmente temos o direito de nos indignar, de questionar as autoridades e expressar livremente o que pensamos. Mesmo assim, isso tem um limite. A democracia também possui um aparato repressivo para manter a ordem.Movimentos sociais não são bem vistos e, muitas vezes,  são considerados perigosos e reprimidos. O aparato jurídico, afinal, existe para servir ao poder e legitimar seu exercício, para alimentar nossa cotidiana desordem pública através da desfuncionalidade das normatizações.

A democracia nos proporciona a ilusão de que somos livres e escolhemos nosso destino. Mas muitas vezes ela pode ser tão opressora quanto qualquer ditadura. Assim sendo, retornamos ao ponto inicial: a única vantagem da democracia é poder condenar abertamente as sombras de ditadura que povo am nosso cotidiano mais elementar.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

CONTRA AS IDEOLOGIAS

Longe de mim  afirmar qualquer ideal de sociedade, dizer como as coisas deveriam ser. Não acredito em mundos perfeitos. Não cultivo a ilusão de qualquer reformismo social. Nada espero de nada. Tudo passa e muda em todas as direções. Amanhã será outro dia. Mas não será o dia de ninguém.

terça-feira, 8 de maio de 2018

A LEI SERVE SEMPRE AO PODER

As leis não servem necessariamente a justiça. Destinam-se a legitimação e garantia do poder vigente. Raramente contrariam a moral estabelecida e os conservadorismos que fazem dos costumes mas absurdos a retaguarda da lei. 

Há, até mesmo, certa cumplicidade entre o legal e o ilegal que  fortalece o crime. Não é preciso ser honesto para ser reconhecido como um homem de bem. Há, aliais, muita ambiguidade nas práticas legislativas e penais. Afinal, sabemos de longa data que a lei não trata todos como iguais.

Os maiores criminosos nunca são presos. Pois a lei serve sempre ao poder. Este monstro que a todos corrompe....