sábado, 16 de junho de 2018

UM PESADELO CHAMADO BRASIL

O Brasil é um pesadelo social. Podemos individualmente inventar nossas vidas, estabelecer estratégias de sobrevivência. Mas, do ponto de vista coletivo, nos deparamos com arranjos políticos, econômicos e culturais que garantem o sucesso de poucos. 
O país é uma espécie de máquina de produção de desigualdades e poder para infinita prosperidade de elites.

O Brasil é um lugar horrível para se viver. Basta frequentar as redes sociais para perceber o quanto. Nem mesmo a rebelião por aqui possui fundamentos civilizatorios. As pessoas se quer são capazes de ter opinião.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

FILOSOFIA DOS BOLETOS


Vivemos em uma sociedade de consumo.  Somos medidos e definidos pelo nosso poder aquisitivo. Ele define onde você mora, o que você come, seu grau de instrução, hábitos e sensibilidades possíveis.

Todos nós que sobrevivemos de salário somos, entretanto, menos do que consumidores. Somos individados por natureza. Mesmo aqueles que pagam suas contas em dia. A dívida vive de seu eterno retorno contra as nossas vidas. Eis a mais sutil estratégia de controle social: a democrática ditadura do boleto.

A maior parte do nosso salário sempre será investida na quitação de débitos mensais, na agonia mortal de reproduzir até o absurdo nossa cotidiana miséria existencial.

SOBRE COPA DO MUNDO

A copa do mundo é um acontecimento midiático dedicado ao consumo, ao lucro de poucos, com a manipulação das paixões coletivas.
Não é sobre competição, nacionalismo ou qualquer outra bobagem bélica. É tudo sobre dinheiro, poder e controle.
A ilusão da bola inventa almas mortas.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

O MESMO DE SEMPRE DE TODO GOVERNO

Desde a redemocratização,  o amadorismo circunstancial imposto pelos acordos políticos de governabilidade limitam a pauta do poder executivo. 

As políticas governamentais são definidas, em grande medida, pelo loteamento dos ministérios e pelas inércia burocráticas. 
Os macro projetos de governo nunca são executados como idealizados e a administração pública segue a deriva e ao sabor das conjunturas.

Não há candidato eleito que cumpra o prometido de campanha. A realidade de governo, norteada por acordos e falcatruas, não permite compromissos sérios com a sociedade.

Os governos vivem de maquiar uma rotina burocrático administrativa sempre esfaqueada de quatro em quatro anos. Os problemas estruturais e pautas continuam sempre as mesmas: saúde, educação e segurança, reformas e transparência. Assim segue, constantemente renovado, o velho enredo.

domingo, 10 de junho de 2018

CONFORMISMO

Vivemos entre a indiferença e a angústia.
Os dias semeiam incertezas.
Mas rimos do futuro.
Confiamos na nossa confiança
Cultivando a mais franca ignorância.
O desastre será sempre depois de amanhã.
Trabalhe e tenha fé,
Ignore o caos passando pela janela.
Há sempre um pouco de samba e algum futebol decorando o dia através da televisão.

sábado, 9 de junho de 2018

O TRÁGICO DESTINO ELEITORAL



As eleições de 2014  e 2016 afirmaram a tendência ao voto nulo como uma sincera expressão de ceticismo nas alternativas institucionais. Pode-se mesmo dizer que a porcentagem de indecisos, vítimas da chantagem barata do voto útil, seja de esquerda ou direita, foi decisiva na definição desses dois últimos pleitos eleitorais.

Independente disso, já não é fácil apostar no jogo político como arena de mudança para as mazelas nacionais. Os políticos são parte do problema e não dá solução. Isso independe das candidaturas vitoriosas. Já sabemos que os eleitos nada farão de substancialmente positivo pelos seus eleitores. Afinal, é a própria republica que se apresenta como uma construção condenada à sucumbir sobre suas próprias estruturas.

O futuro, definitivamente, não está nas urnas. Mas não somos ainda capazes de vislumbrar o novo de instâncias cada vez mais diretas de deliberação e organização da sociedade. Estamos condenados a ir do ruim ao pior a cada nova eleição,  legitimando os políticos e partidos que nos condenam a ditadura do sempre igual.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

MISÉRIA ASSALARIADA



Esta miserável vida de assalariado não me faz digno da existência.
Meu trabalho me anula e mata.
Qualquer emprego é apenas o outro lado da medíocre condição de consumidor.
Vivo para pagar contas e adquirir coisas que me consomem.
Vivo para não viver e tenho inveja dos animais de rua.

Existo para e através do dinheiro como quem não vive.

A MIOPIA DO PENSAMENTO



A miopia do pensamento é o que define o imaginário nacional.

No Brasil não há horizontes de pensamento, vertigens de abismos. Imperam as afirmações positivas, a confiança em qualquer solução tosca, ou seja: ufanismo nacional desenvolvimentista, salvadores da pátria,(populistas, ditadores e falsos revolucionários) planos econômicos, empreendedorismo, livre mercado,  milagres, esoterismos, etc. Acredita-se em qualquer coisa menos no obvio e gritante fracasso nacional que cada vez mais se expande em todos os tempos e direções.

Negar o obvio é o que nos mantem coletivamente escravos de nossas mazelas.


AFINAL, O QUE É O DEVIR?

Inútil dizer como a vida deveria ser, pois ela sempre será como somos.
O devir se impõe aos fatos através dos atos. Ele é história, mas não é histórico. O devir é o meio das coisas,  acontece através de tudo que nos afeta. É a construção de um plano de imanência.



AS MAZELAS DA ORDEM SOCIAL


Não entendo como a sociedade funciona e não quero entender. Sei que tudo acontece de uma forma perversa onde o poder e a ambição de poucos define as prioridades e as pautas do jogo social. O bem estar de todos, a vida comum, pouco importam diante das exigências da manutenção de uma  ordem que apenas produz desordens.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

ELOGIO A ANARQUIA


Nasci pobre.
Meus filhos serão pobres.
A pobreza mora em nossas entranhas
Como um destino.
Não importa o governo,
A economia
Ou a loteria.
Sou pobre
Como os ricos são ricos
E tem filhos ricos
Predestinados a serem bem sucedidos.
Morrerei pobre.
Não fará diferença meu trabalho honesto,
Minha ambição e esforço.
Sempre existirão pobres
Para que os ricos sejam ricos.
Este nosso tipo tosco de sociedade
Depende disso.
Por isso sonho outro mundo,
Outro estado de coisas
E acredito na anarquia.