sexta-feira, 13 de setembro de 2019

QUESTÃO RACIAL

Nasci negro, pobre e quase favelado. Não  me venham dizer que há também  brancos  pobres e sacrificados . Pois nunca é  o negro que explora todos. São  sempre brancos, flácidos e elitistas, cheios de preconceitos, que ainda sustentam toda forma de exploração. 

Não  me digam para superar a escravidão  e a miséria de pretos e quase pretos onde os brancos estão  no comando.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

SOLIDÃO SOCIAL

Somos condenados ao nascer a solidão,
Ao limite, a razão e a norma.
Ninguém é  livre.
Todos vão  a escola,
Ao trabalho e ao banco.
Mas poucos sentem o peso de suas correntes.
Não  há  solidariedade entre os prisioneiros.
Cada um sabe apenas de si.
O isolamento define a vida em sociedade.
E  as pessoas não  se olham nos olhos.
É  um tempo triste para revolucionários.


O BRASIL SEGUNDO UM VISITANTE ANÔNIMO

A desigualdade, o privilégio e a exploração  inventaram o Brasil. Este lugar miserável nos trópicos onde todas as formas de corrupção, superstições e apetites desenfreados encontraram guarida.

Beste lugar de leis duvidosas uma minoria de espertos reina sobre uma maioria de idiotas sob o manto esfarrapado de uma bandeira nacional.

O Brasil é  apenas mais uma ficção  nacional a margem da grande tragédia da civilização  ocidental.

Tenho pena dos que aqui morreram esperando qualquer revolução.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

BINARISMO POLITICO

Entre bolsonarismo e lulismo, o país é  politicamente ameaçado  pelo obscurantismo ideológico, pela redução  de toda vida social a um binarismo tosco . Através  dele o jogo político assume a forma bélica de uma cruzada contra o mal. Seja ele representado pela ameaça comunista, no primeiro caso, ou pela conspiração  golpista, no segundo caso. Ambas narrativas de viés autoritário cria a mítica figura de um salvador nacional que, confundindo-se com o Estado, procura submeter a sociedade a um determinado projeto qualquer  de poder de cunho personalista.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

PALAVRAS DE ORDEM E IDEAL POLITICO


A vida política ocidental dos últimos séculos teve como referência a busca pela instituição  da liberdade e do bem comum em uma comunidade de diferentes iguais. 


Este nobre ideal abstrato,  nos últimos tempos, entretanto, foi eclipsado pelo monopólio oligárquico do poder e pelas  narrativas belicistas baseadas no binário amigo/inimigo.

No lugar de práticas comunitárias e projetos coletivos de sociedade, a sombra de certo realismo politico, há agora apenas palavras de ordem vazias disseminadas no império das opiniões das redes sociais. 

As bolhas ideológicas e a ambição pelo poder  substituíram o bem comum como ideal da vida pública. Cada um busca apenas o triunfo de sua própria verdade ou narrativa. Além disso, só  existem indivíduos desarticuladas e conectados  onde deveria existir um devir coletivo inspirado por algum grande sonho  de sociedade.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

NÃO CONFIE EM POLÍTICOS

Quem vive de política no Brasil é  bandido.

De que maneira mais precisa seria possível definir os profissionais do poder? Estes picaretas de obscuras ambições que reduziram a vida pública a obscuras negociatas.

Não  se deixe enganar  políticos vivem de privilégios as custas do sacrifício da população. 

Somos todos reféns do Estado e vítimas dos políticos e suas criminosas organizações partidárias.

CARNAVAL

Exerçam sempre a liberdade de dizer não.
Briguem por um sonho,
Pelo direito de não  ser normal,
De realizar o inumano e o irracional,
De recusar verdades e regras.
Acordem o caos contra o sol.
Não  capitulem diante de qualquer verdade universal.
Tinjam  de negro as ruas
Reivindicando o impossível.
Não  tenham medo.
Não  recuem.
Destruam a paz social.
Dancem o intempestivo
Até  rasgar aqui e agora.
É tempo de carnaval.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

MINHA DIGNIDADE



Minha dignidade não esta no trabalho,
Na família ou no meu belo retrato no quadro social.

Ela não é coisa que agregue valor ao meu rosto.
Não me faz alguém  melhor ou pior.
Não posso toca-la ou mostra-la como uma roupa nova.

Alguns dirão que ela se quer existe.

Minha dignidade é silenciosa
E não perturba a turba.
Ela esta no afeto,
Nos meus gestos,
No que me cabe por dentro
E por fora do mundo.

Minha dignidade não é minha.
É de todo mundo
Que coabita meus dias
Na invenção diária de um bem viver comum.  



quarta-feira, 28 de agosto de 2019

CONTRA O MUNDO CONTEMPORÂNEO



A dicotomia entre Estado de Direito e Estado Policial já não existe mais. Não há fronteiras entre a democracia e o autoritarismo.  Tudo é cada vez mais reduzido ao controle penal, a normalização da sociedade. A hegemonia do poder oligárquico consolidou-se de vez  na contemporaneidade através da captura da esfera pública por apetites corporativos e mercantis diversos. A racionalidade de mercado contamina todas as instancias da vida social de forma transnacional e truculenta.O que foge ao controle é empurrado para a margem da anormalidade a ser disciplinada.  É isso que define o miserável mundo contemporâneo. É contra isso que se debatem multiplicidades de insurgentes na microfísica do mero cotidiano.

CHOVE NA FLORESTA


Ninguém sabe.
Mas neste exato instante,
Chove na floresta.


A vida segue em mata fechada
Indiferente ao lixo urbano,
A medíocre grandeza da civilização ocidental,
Do hino nacional
E da reunião da ONU.
A vida segue contra a história e o progresso.

Chove na floresta.
Contra todo desmatamento,
Assassinatos e agressões.

Chove na floresta
Pelo simples fato natural de chover,
Sem a necessidade de tratados,
Utilitarismos ou manifestos vagos
Sobre o valor do verde.

Ninguém precisa aproveitar a chuva.
Basta viver a floresta como devir
Fora do jogo entre sujeito e objeto.
todos nós somos a floresta.
Todos somos o céu que chora.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

EM DEFESA DA AMAZÔNIA



A Amazônia  é um território natural que transcende a ficção  perversa dos Estados nacionais e sua lógica predatória.

Em tempos de alterações  climáticas globais, de duros questionamentos da civilização  pós  industrial ocidental,  ela se converte em um símbolo de vida e natureza. 

Em torno da grande floresta  ganha fôlego a causa da sobrevivência da cultura indígena frente as ofensivas do agro negócio. Tambem ganha visibilidade  a geopolítica da biodiversidade que mobiliza diversos apetites internacionais. Tanto quanto a incompetência e falta de engajamento dos países atravessados pela Amazônia, para construir políticas ambientais que respondam urgentemente a tragédia ecológica cada vez mais evidente aos olhos do mundo.

A autonomia da floresta frente aos interesses corporativos financeiros e nacionais, precisa ser   afirmada. A Amazônia  não pode continuar sendo tratada como  um pedaço  maltratado de nações  falidas.