quarta-feira, 21 de outubro de 2015

DEMOCRACIA FORMAL OU DEMOCRACIA REAL?

A democracia formal  lhe garante abstratos direitos produzidos pela ficção de sua  cidadania, mas não lhe garante a própria existência como “indivíduo social”  e nem mesmo lhe garante a condição de sujeito coletivo e senhor de sua própria vida. Pelo contrário, o prende a uma falsa soberania definida por oligarquias politicas e burocracias que usam a representação como fetiche , como instrumento de perpetuação de sua logica de sobrevivência as custas da fantasia do Estado Nação.
Os representados são escravos dos seus representantes pela extorsão tributária. A ordem serve a alguns no produzir da desordem da vida da maioria.


 Na democracia real, cada um assume entre os outros a regulação progressiva da própria vida  na construção do espaço público.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

TENHO PENA DOS PALHAÇOS DO BRASIL

Tenho muita pena dos que compõem aquela multidão vazia de apenas um ou dois pensamentos que vestem verde e amarelo, que se dizem orgulhosos do rótulo de brasileiros. Sei que estes são do tipo que não vivem nunca, que  vivem a persona de uma Disneylândia tupiniquim, que só existe em suas cabecinhas toscas.

Tenho pena dos que se sonham felizes e vivendo no melhor do mundo, destes eternos  ufanistas dão realidade ao ridículo nacional.



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

COMPRANDO ROUPAS

A  voz afetada da funcionária da loja de roupas
Me irritava,
Assim como todas aquelas calças e camisas expostas
Com preços  absurdos.
Mas precisava de umas roupas novas
Para não parecer tão miserável.
Era o que me diziam:.
Era o que me diziam.
Mas eu estava me fodendo para a opinião das pessoas.
Me bastava qualquer coisa para cobrir o corpo
E andar por ai sem ser perturbado.
Seja como for,
Ali estava eu escolhendo umas peças novas de roupas.
Apenas porque as que eu tinha eram dignas de um mendigo.
Me recomendaram as mais caras,
As melhores lojas.
Mas eu não fazia o tipo.
Optei pelas mais populares.
Nesta aventura me dei conta
Do quanto são ridículas as vestimentas contemporâneas.
Coloridas, padronizadas e falsamente joviais.
Não me agradava a ideia de vestir o que todo mundo veste.
Absurdamente nos vestimos para que os outros nos vejam bem.
É o que ensina a moda.
Não importa se você é um lixo humano.
Apenas se preocupe em estar apresentável.
Esta era  a regra.
O mundo era habitado por idiotas fantasiados de gente.
Mas eu precisava comprar roupas novas.

Tinha que fazer parte do circo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

LEMBRANDO O CINCO DE NOVEMBRO


Não ame a pátria que te engana e mata.
Não ame tua vida manipulada.
Erga tua cabeça,
Desfaça o horizonte.
Dance embriagado
Alguma velha canção de liberdade.
Não caia,
Não aceite.
Não torne natural a barbárie.

Vamos explodir o momento,
Bagunçar o passado
E embaralhar futuros.
Talvez, depois disso,

Alguma coisa aconteça.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

PEDRA NO SAPATO

O grande problema é que a vida é cara para a maior parte das pessoas e profundamente barata, sem valor algum para uma meia dúzia de abastados bastardos que ditam o mundo a sua imagem e semelhança.

A maioria é sempre burra e conservadora, segue as tendências coletivas sem um engasgo de  autentica individualidade. Por isso as coisas vão de mal a pior. Somos todos  parte da desfuncionalidade  imperante.

Mas não acredito em nenhuma utopia absurda de um mundo novo. Aposto apenas na nossa potencialidade para criar problemas e pautas novas, impor limites a sociedade até que ela pare de apodrecer tanto a cada dia.


Ser uma pedra no sapato é atualmente a melhor filosofia contra os absurdos do dia a dia.

AVISO AS AUTORIDADES

Eu não esperava mesmo ouvir um bom dia
Que não me ferisse os ouvidos hoje.
Eu sabia que seria apenas mais um dia insuportável,
Como qualquer outro onde as coisas erram o caminho,
Onde o bom senso se afoga na sujeira da boa mesa,
Dos bons costumes e boas  intenções.
Não me convidem para almoçar.
Quero jantar suas tripas,
Seu terno, sua boa vida
E sua hipocrisia.
O respeito é que estraga o mundo.
Então não vou respeitar nada.
Não vou jogar o jogo
No qual você sempre ganha.


terça-feira, 13 de outubro de 2015

SOBRE O ÓDIO AO BRASIL

Qualquer ofensa anti- patriótica é bem vinda contra o autoritarismo da ordem e do progresso de alguns sob a miséria de muitos.  

O elitismo do projeto de estado nação que aqui se inventou, primeiro com a emancipação politica e sua conversão de colônia  a império e, depois, sabe-se lá direito como, de império a republica, bem expressam a esquizofrenia que define a sociedade que se criou nestas terras dos trópicos.
Único império das Américas, também foi uma das republicas mais mal sucedidas do continente, provando que, desde muito cedo, no cenário das nações livres, não teria um bom destino a América portuguesa.

E assim vem sendo até os dias de hoje.  Enxerguem os senhores ou não, ou então, não admitam por hipocrisia ou despeito provinciano.

A vida aqui é triste e medíocre.
É destas onde pouco se vive
e se respira por simples teimosia.
O brasil é alguma espécie de agonia....


O BANALISMO FILOSÓFICO E O PENSAMENTO BRASILEIRO

Se existe algo próximo a uma filosofia tupiniquim, ela é certamente o banalismo filosófico. Entende-se por isso o distanciamento objetivo da realidade que se converte em indiferença axiológica e neutralidade moral. Trata-se de uma filosofia que reduz a barbárie e o absurdo a um equivalente da realidade mais pacata.

Assim, a violência, a corrupção, a precariedade da saúde e da educação, a péssima qualidade de vida da maior parte da população e outras questões que se arrastam por décadas sem solução, se tornam meras abstrações  da realidade crua.


O banalismo filosófico é o oposto do pensamento critico e reflexivo. Sua premissa é o comodismo e a miopia como estratégia de conversão do concreto  a realidade pensada. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O ABSOLUTO DA CORRUPÇÃO

Afinal, qual o tamanho da corrupção?
Onde começa e termina a  putaria política nacional?
Talvez ela seja muito maior do que tudo o que até agora já virou escândalo .
O mais irônico é que a própria corrupção se tornou objeto de negociatas políticas escusas , revelando o alcance absoluto de certas praticas perversas que caracterizam o mundo do poder.
Mas, por mais absurdo que pareça, não é possível crer na punição de todos os envolvidos. Avançamos apenas no fato de não viver escândalos de farra com dinheiro público a varejo. Agora é no atacado e não tem limites. Das prefeituras a União, tudo se afunda na mesma lama.


UM POUCO DE REVOLTA

Jamais quis estar entre estas pessoas que como bons selvagens se acotovelam no coração da cidade. Há algo nelas de podre, algo da pior sociedade. A multidão sempre me causou asco e a vida social desconfiança. Adquiri o costume de não confiar em ninguém, nem em ideias, causas ou princípios.  Nenhum esperto vai lucrar com minha ingenuidade.

Mas vivo em um país ordinário onde corre dinheiro fácil nas mãos de poucos privilegiados. E todos querem ser privilegiados... Não vivemos no melhor dos mundos e nem entre as melhores pessoas.  Não me admira que tudo tenha se tornado tão absurdo.


Deixem em casa as esperanças. Usem de malícia, astúcia e um pouco de violência. Talvez assim a sociedade finalmente os escute.

domingo, 11 de outubro de 2015

O PAÍS É TUDO AQUILO QUE NÃO DÁ CERTO

O país era tudo aquilo que existia contra você. Era os bancos, as contas do fim do mês, o aluguel, a polícia, as roupas caras, o sorriso das pessoas, a política, a religião... A lista era grande.
Detestava ver minha vida presa a tantas falácias e abstrações coletivas. Mas elas eram mais reais do que os fatos. Não havia como fugir do imposto de renda.

O país era tudo aquilo que não dava certo, que atrapalhava o beijo, o almoço de domingo e a vontade de não fazer nada.

O pais era a necessidade de ter opiniões contra todo o absurdo nacional.