quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

EM ESTADO DE DESOBEDIÊNCIA CIVL

Prefiro mil vezes viver de vinho
Do que sofrer a agonia de uma realidade mesquinha.
Tudo para mim sempre foi uma questão de imaginação
Nunca honrei  qualquer verdade ou convenção social.
Abomino convicções.
Sei que certezas desmancham no ar
E que tradições não duram para sempre.
Por isso sigo livre, incerto e provisório.
Brinco com tudo que levam a sério
Para não sofrer a agonia de uma realidade mesquinha.
Não me importo com o destino do país,
Com os desmandos políticos
Porque me afirmo em permanente estado

De desobediência civil.

VOCÊ E O MUNDO

Pense na realidade dos seus atos
Frente aos desmandos dos governos,
As mentiras dos partidos
E a hipocrisia dos deputados.
Pense no absurdo que define o Estado,
Na burrice coletiva e nos silêncios das multidões.

Você quase não existe diante de tudo isso.
Mas vive sob o peso dos fatos.
O que ainda pode ser feito?
Como podemos ser livres?
Você não sabe.
Finge que não se importa.


CONTRA O MORALISMO DAS UTOPIAS E IDEOLOGIAS

Os sonhos de um mundo melhor, justiça social e todas as utopias sobre o moralmente correto não passam de autoritarismo e fanatismo contra a mais elementar realidade. A miséria dos bons ideais envenena o pensamento e a reflexão, reduz a critica a uma cartilha, a um conjunto de dogmas transvertidos de leis universais.

Como são miseráveis as boas intensões humanas! E há ainda quem se dedique a hipocrisia das boas causas, das razões de Estado e messianinsmos vazios.
Morro de medo daqueles que vivem por qualquer ideal de boa sociedade.


terça-feira, 3 de janeiro de 2017

UMA SOCIEDADE DE INDIVÍDUOS

A hipótese anarquista de uma sociedade onde as pessoas sejam capazes de gerir sua própria vida, sem relações verticais ou coercitivas, pode parecer para muitos um utopismo ingênuo. Mas se assim o fosse teríamos que admitir a mediocridade do animal humano, condenado a prisão de suas fantasias  coletivistas, vaidades e ambições sem sentido que sempre tendem ao totalitarismo.

Relações societárias são construídas e não algo dado. Na medida em que nos tornamos mais conscientes de nós mesmos, de nossa individualidade, em uma cultura cada vez mais complexa e reinventada pelos artifícios tecnológicos, somos cotidianamente desafiados a dar respostas novas a antigas questões. Como disse certa vez o poeta Murilo Mendes, o Homem é um ser futuro. E não há utopismo em identificar uma tendência à sofisticação da consciência individual e oposição a racionalidades coletivistas.


Pode-se ponderar que tal tendência , mesmo se reconhecida, ainda é muito distante da realidade de lugares como o Brasil cujos valores culturais primam pelo arcaísmo e pelo autoritarismo. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

ZÉ NINGUÉM

Esta casa não é minha
E os dias me ignoram.
Apenas trabalho,
Pago o aluguel e outras contas
Como qualquer zé ninguém
Transmutado em numero  pelo Estado.

Tenho direito a um tico de diversão,
Tédio e cansaço
Para esquecer um pouco a labuta.

Tenho o dever de acreditar
No discurso vazio de algum politico
Que possa ser eleito.
Populismos sempre estão em alta
Para presidente ou prefeito.

Este país não é meu
E não sou este país.
Apenas vivo do lixo de suas obrigações
Ignorado e esmagado
Pela ordem e o progresso.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

BABEL OU O INACABAMENTO: UMA REFLEXÃO SOBRE O MITO DE BABEL ( UM PEQUENO FRAGMENTO OPORTUNO)


“A história da modernidade ensina-nos que uma comunidade privada de projeto coletivo- de representações místicas aptas a suscitar a ação- é ingovernável. Como um insone a quem esta enfermidade priva dos sonhos, ela perde o sentido do real. Eis porque o Estado permanece, de fato, e permanecerá, haja o que houver, inacabado. Braudel defendia esta tese, baseando-se em considerações socioeconômicas. Mas, na própria medida em que o Estado, à semelhança de Babel, visa integrar totalmente, totalitariamente, a sociedade e as manifestações contraditórias da sua cultura, mais cedo ou mais tarde ‘cessar-se-á’ de o construir.”


Paul Zumthor in Babel e o Inacabamento: Uma reflexão sobre o mito de Babel.  Lisboa: Editora Bizancio, 1998,  p. 194

O VAZIO DA VIDA URBANA

A vida nos grandes centros urbanos, através de suas redes de serviços, rotinas simbólicas e laboriosas, emaranhado de fluxos humanos e pluralidade de silêncios, angustias e ilusões, me parece condenada a algum tipo de implosão.

Não há racionalidade urbana capaz de ainda estabelecer consensos e coesões na multidão  que se perde e faz a cidade acontecer.


 A cidade é apenas um grande labirinto onde todos circulam cada vez mais perdidos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A PERCEPÇÃO DA CORRUPÇÃO NO BRASIL

Segundo o  relatório divulgado pela ONG  Transparência Internacional, que estabelece uma classificação de 168 países, em uma escala de 1 a 100 do Índice de Percepção da Corrupção, o Brasil este ano caiu algumas posições ficando na 76º colocação.

O indicie é estabelecido através de consultas a especialistas de organizações como o Banco Mundial e a Fundação Berteslmann. Segundo o mesmo relatório, os países menos corruptos na américa latina são o Uruguai ( 21ºposição), Chile ( 23º Posição) e Costa Rica (40º posição). Determinante para a queda da posição tupiniquim foram os escândalos envolvendo a  Petrobras.

Pessoalmente acho que ano que vem o resultado será ainda pior tendo em vista os desdobramentos da Operação Lava Jato que já se tornou a maior investigação de crimes de corrupção já realizada no continente. Definitivamente o Brasil é vergonhosamente um verdadeiro paraíso para crimes de colarinho branco. Por aqui a corrupção e o abuso do poder politico e econômico é a regra do jogo e pouco importa a atual  fachada democrática que atualmente exibe a república. Os detentores do poder sempre tiveram certeza da impunidade. Por outro lado, a corrupção não pode ser considerada um simples desvio de caráter. Ela é essencialmente uma perversão social, pois envolve vários agentes e condições estruturais. Sendo assim, ela é uma cultura, um ethos de algum modo tolerado.


No Brasil a corrupção sempre foi tratada como um mal menor e praticada em grande escala.  o Estado sempre serviu aos interesses das oligarquias politicas e econômicas e o interesse público nunca foi além da hipocrisia dos discursos.  

SOBRE A CRISE DO ESTADO E A PROSPERIDADE DOS NOSSOS POLITICOS



A atual crise do Estado no Brasil esta longe de ser uma fantasia. O déficit público já beira o absurdo de 10% do PIB, não sendo descartado o risco de insolvência do Estado continuem as coisas nos rumos em que estão. É realmente deplorável a fragilidade financeira de estados e municípios. Principalmente porque os políticos parecem apostar de modo otimista na capacidade do Estado gerar infinitamente receitas. Parecem pouco dispostos a cortar seus privilégios e o padrão escandalosamente oneroso de reprodução da maquina pública. É mais  fácil reduzir o problema ao tamanho da folha de pagamento e aos cortes nos gastos sociais, sem rediscutir profundamente o modo tosco como os sucessivos governos gerenciaram seus gastos e investimentos públicos ao sabor de seus caprichos irresponsáveis. Isso para não mencionar os milhões esvaídos em esquemas de corrupção  e desvios  dos mais variados.

Pagamos agora a conta da mediocridade dos governantes. Entretanto, a tão decantada crise econômica e gerencial do Estado parece não afetar nossos políticos milionários e bem sucedidos na arte de ganhar dinheiro as custas do povo e das benesses dos privilégios da vida pública.


TODO PODER EMANA DO POVO?....

Contrariando a máxima republicana de que todo poder emana do povo e é exercido em seu nome, os políticos tupiniquins cada vez mais se comportam como verdadeiros déspotas esclarecidos. Parecem simplesmente ignorar de todas as formas a opinião pública e seguir suas próprias resoluções e convicções vazias. Na verdade, longe de ostentar ideias e princípios, o que parece mover os políticos são os interesses rasteiros e financeiros que dão sentido hoje ao jogo do poder.

O espaço publico institucional tornou-se privilegio das oligarquias de poder organizadas em partidos e grupos de interesses duvidosos. Esta abstração ridícula chamada povo só serve agora  para legitimar o poder de poucos e os desmandos dos ungidos pelo voto direto quando a representatividade já não passa de uma grande falácia.


A verdade é que todo poder emana do povo e contra ele é exercido.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

CONTRA O TOTALITARISMO IDEOLÓGICO

Vivemos em uma sociedade doente onde o coletivo se impõe ao indivíduo e o particular deve se adequar ao universal. Entretanto, o novo começa na singularidade que se volta contra os lugares comuns das convenções e verdades cristalizadas.


Mais indivíduos, menos rebanho e totalitarismo ideológico. Liberdade é agora realizar a equação irracional de si mesmo em cada instante, em cada grito, desvelando a cada susto a micro física fenomenológica do cotidiano.

Não tenha certezas . VIVA!