A dicotomia entre Estado de Direito e Estado Policial
já não existe mais. Não há fronteiras entre a democracia e o autoritarismo. Tudo é cada vez mais reduzido ao controle
penal, a normalização da sociedade. A hegemonia do poder oligárquico consolidou-se
de vez na contemporaneidade através da
captura da esfera pública por apetites corporativos e mercantis diversos. A
racionalidade de mercado contamina todas as instancias da vida social de forma
transnacional e truculenta.O que foge ao controle é empurrado para a margem da
anormalidade a ser disciplinada. É isso
que define o miserável mundo contemporâneo. É contra isso que se debatem
multiplicidades de insurgentes na microfísica do mero cotidiano.
Segundo Benedict Anderson em seu clássico estudo “Nação e Consciência Nacional, um estado nação é uma comunidade política imaginária, uma dessas estranhas construções culturais da modernidade. Particularmente, diria ainda que algumas imaginações nacionais mostram-se mais funcionais enquanto outras, por uma serie de variáveis, são tragicamente desfuncionais e carnavalescas versões de qualquer fantasia nacionalista ideal. O exemplo brasileiro enquadra-se, naturalmente, neste ultimo caso...
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
CHOVE NA FLORESTA
Ninguém sabe.
Mas neste exato instante,
Chove na floresta.
A vida segue em mata fechada
Indiferente ao lixo urbano,
A medíocre grandeza da civilização ocidental,
Do hino nacional
E da reunião da ONU.
A vida segue contra a história e o progresso.
Chove na floresta.
Contra todo desmatamento,
Assassinatos e agressões.
Chove na floresta
Pelo simples fato natural de chover,
Sem a necessidade de tratados,
Utilitarismos ou manifestos vagos
Sobre o valor do verde.
Ninguém precisa aproveitar a chuva.
Basta viver a floresta como devir
Fora do jogo entre sujeito e objeto.
todos nós somos a floresta.
Todos somos o céu que chora.
Todos somos o céu que chora.
terça-feira, 27 de agosto de 2019
EM DEFESA DA AMAZÔNIA
A Amazônia é um território natural que transcende a ficção perversa dos Estados nacionais e sua lógica predatória.
Em tempos de alterações climáticas globais, de duros questionamentos da civilização pós industrial ocidental, ela se converte em um símbolo de vida e natureza.
Em torno da grande floresta ganha fôlego a causa da sobrevivência da cultura indígena frente as ofensivas do agro negócio. Tambem ganha visibilidade a geopolítica da biodiversidade que mobiliza diversos apetites internacionais. Tanto quanto a incompetência e falta de engajamento dos países atravessados pela Amazônia, para construir políticas ambientais que respondam urgentemente a tragédia ecológica cada vez mais evidente aos olhos do mundo.
A autonomia da floresta frente aos interesses corporativos financeiros e nacionais, precisa ser afirmada. A Amazônia não pode continuar sendo tratada como um pedaço maltratado de nações falidas.
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
O DESAFIO DA GRANDE FLORESTA
O desmatamento da Amazônia é um problema antigo e permanente. Um problema global.Afinal, a floresta não tem pátria, como a própria natureza. Ela está acima da ilusão de qualquer estado nação.
Não deve surpreender, portanto, que a Amazônia, tenha se convertido na maior pedra no caminho do desgoverno bolsonaro.
A Amazônia é grande,
O Brasil pequeno.
Principalmente em tempos nos quais a questão climática se converte em uma trincheira global de luta anti capitalista.
terça-feira, 20 de agosto de 2019
MISÉRIA NACIONAL
O Brasil é um país miserável
Em todos os sentidos da miserabilidade.
Em todos os sentidos da miserabilidade.
O poder aqui é totalmente corrupto,
A riqueza criminosa,
A esperança fanática,
O desejo patológico
E a virtude o vício dos hipócritas.
A riqueza criminosa,
A esperança fanática,
O desejo patológico
E a virtude o vício dos hipócritas.
A miséria está em todas as partes e tem todas as formas do imaginável.
No Brasil qualquer felicidade é doente.
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
CONTRA OS PASTORES E SUAS MENTIRAS
Recuso o heroísmo falho dos bem intencionados.
Não me engano com nobres ideais
E imperativos morais.
Aqueles que nos
convencem de qualquer verdade
Roubam de nós a liberdade.
É sempre preferível a sensibilidade dos justos
Que se acomodam,
Sempre provisoriamente,
as possibilidades
Do viver e do ser,
A hipocrisia das igrejas.
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
EDUCAÇÃO E PODER
A escola não prepara para vida.
Ela nos educa para não viver,
Para saber o que é permitido,
Para fazer o que nos é exigido.
Ela nos educa para não viver,
Para saber o que é permitido,
Para fazer o que nos é exigido.
A escola nos conforma,
Nos adequa e separa,
Nos enquadra.
Estabelece hierarquias,
Discrimina pelos diplomas.
Nos adequa e separa,
Nos enquadra.
Estabelece hierarquias,
Discrimina pelos diplomas.
A escola serve ao jogo do poder,
Do saber que aprisiona.
Do saber que aprisiona.
A escola não transforma,
Conforma.
Conforma.
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
A POTÊNCIA DA MULTIDÃO
A alma das ruas é a multidão.
Não a massa domada,
Controlada pelos fluxos cotidianos,
Pelas rotinas do trabalho,
Ou pela ordem pública dos horários comercias.
A multidão é plena na reunião dos corpos
Parando o trânsito,
Quebrando a rotina
Na potência de uma manifestação,
De um cordão humano que inventa um rio,
Uma correnteza de gente,
Arrastando o tempo presente em uma só direção.
Parando o trânsito,
Quebrando a rotina
Na potência de uma manifestação,
De um cordão humano que inventa um rio,
Uma correnteza de gente,
Arrastando o tempo presente em uma só direção.
A alma das ruas é o anonimato de rostos
Na paisagem viva de uma passeata.
É o nós, o eu e os outros
Na união de todos,
Inventando a liberdade
Na ação do coro.
Na paisagem viva de uma passeata.
É o nós, o eu e os outros
Na união de todos,
Inventando a liberdade
Na ação do coro.
O mundo e o tempo parecem pequenos
Naquela confusão de destinos
Dançando um grito
Contra o Estado, a polícia
E os absurdos da política.
Naquela confusão de destinos
Dançando um grito
Contra o Estado, a polícia
E os absurdos da política.
É através do poder soberano da multidão
Que o futuro transforma o passado.
Que o futuro transforma o passado.
A NOVA DIREITA E A VITÓRIA DO AUTORITARISMO ?
O autoritarismo e o elitismo, desde os tempos coloniais ou de américa portuguesa, passando pela conversão em império tropical e, posteriormente, em república oligárquica, definem o Brasil como Estado nação. As marcas do sistema escravagista e seu antigo regime são permanências que superam qualquer ideal de modernidade. Nos discursos oficias isso sempre foi ignorado em nome da fantasia de um povo alegre, inventivo e pacifico. A ditadura vargas inventou o Brasil tal como o conhecemos: o país do samba que, posteriormente, seria também do futebol. O Pais potencia em desenvolvimento, homogêneo e gigante por natureza.
Com a “nova republica” inaugurada pela constituição de
1988, parecíamos próximos da realização
da utopia de uma republica popular e democrática, mesmo que na contramão de todo elitismo e estatismo de
nossa história. O Governo Bolsonoro parece ter, entretanto, enterrado esta ilusão
ingênua. O autoritarismo, o elitismo mais perverso, que nunca deixaram de
definir o páis, perderam todo pudor democrático. Assistimos atônicos o
agressivo avanço de um neo conservadorismo raivoso, predador e selvagem. Daqui
para frente nada será como antes. A ditadura deixou de ser um tabu, um mal
resolvido capitulo da vida republicana, para se converter no pior pesadelo de
uma democracia moribunda.
ESTRATÉGIAS DO AUTORITARISMO
Não há dogmatismo mais perverso do que aquele que se apresenta
como isento de opiniões. A neutralidade é uma estratégia dos fanáticos mais
radicais, daqueles que se cobrem com o manto vermelho da superioridade para
perseguir, eliminar, todo aquele que não lhe serve de espelho.
Desconfie sempre dos puros, dos bem intencionados,
reformadores ou salvadores do mundo. Geralmente eles representam a decadência
que prometem superar.
sábado, 10 de agosto de 2019
BOLSONARO E A REPUBLICA
Bolsonaro como presidente é um monumento vivo a estupidez política. Mistura de autoritarismo, burrice, preconceito, hipocrisia e fisiologismo, que deixa nua a República .
Ele não é uma anomalia da democracia, mas o poder político institucional levado as suas últimas consequências.
Bolsonaro representa, sem maquiagem, o projeto elitista e desumano que define nossa tradição republicana desde a origem.
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