Em maio de 1968, na contra mão da primavera libertária que reinventada a cultura ocidental, o Brasil era prisioneiro de uma bolha nacionalista autoritária. Tanto do ponto de vista do discurso oficial da ditadura, quanto por parte da oposição de esquerda defensora de um nacional desenvolvimentismo.
Segundo Benedict Anderson em seu clássico estudo “Nação e Consciência Nacional, um estado nação é uma comunidade política imaginária, uma dessas estranhas construções culturais da modernidade. Particularmente, diria ainda que algumas imaginações nacionais mostram-se mais funcionais enquanto outras, por uma serie de variáveis, são tragicamente desfuncionais e carnavalescas versões de qualquer fantasia nacionalista ideal. O exemplo brasileiro enquadra-se, naturalmente, neste ultimo caso...
segunda-feira, 7 de maio de 2018
CETICISMO CÍVICO
Partidos políticos funcionam como organizações criminosas. Políticos são movidos à negociatas, privilégios e propinas. Todo mundo sabe. Mas ninguém grita.
No fundo, há certa tolerância em relação a corrupção. Tanto que o escândalo não virá protesto, indignação. Ninguém espera nada diferente da elite dirigente ou da máquina pública.
Por isso as pessoas ainda votam.
Julgam não ter outra escolha. Não acreditam em mudanças efetivas na atual é miserável ordem das coisas.
O FALSO OTIMISMO DO DISCURSO MIDIÁTICO
As crônicas jornalísticas sobre a situação política tupiniquim, tão farta na imprensa falada e escrita, registra apenas o midiático espetáculo midiático dos escândalos de corrupção, a mediocridade dos políticos e os absurdos de um senso comum tacanho que oscila entre a indiferença e o fanatismo de direita e esquerda. Impera sempre a retórica vazia de um futuro sem tantas contradições que , paradoxalmente, nasça da ordem falida republicana e oligárquica da qual somos vítimas e reféns. Assim, apontam o caminho das ilusões eleitorais e das soluções de gabinete. Insinuam que o poder nos salvará do poder. Mas quem ainda é tão idiota para aceitar tal disparate midiático?
CRISE DA REPRESENTAÇÃO E A FALÊNCIA DA REPUBLICA
Nos dias de hoje, graças em
grande parte as novas sensibilidades e codificações do real proporcionadas pela
tecnologia digital, a ideia de participação politica deixou de ser monopolizada
pela relação cidadão X partido ou representantes X representados. Poderíamos
dizer, sem qualquer pretensão conclusiva, que há um redimensionamento da
representação que já não passa necessariamente por agenciamentos coletivos
institucionais. Pelo contrário, já não levamos muito a serio as soluções
institucionais e verticais oferecidas pelos governos e suas maquinas partidárias.
Há, portanto, uma crise do engajamento cívico,
da própria esfera pública, cada vez mais reduzida a administração das coisas
como uma categoria técnico/pragmática, algo reservado ao domínio de
especialistas ou burocratas. Este discurso de saber/poder e apologia a
autoridade dos especialistas, explica um pouco o desgaste dos políticos que,
geralmente, são especialistas unicamente na arte de defender seus próprios interesses.
Há mesmo um esvaziamento do próprio politico como esfera onde se produz a gestão
dos assuntos públicos sem a interferência dos apetites privados. Por outro lado,
isso não tem gerado, até agora, uma contra partida da sociedade, no sentido de
sua auto organização e mobilização em torno de temas pontuais capazes de
introduzir mudanças. Observa-se, ao contrário, um sentimento de dispersão, de
desinteresse dos assuntos públicos. Afinal, o jogo da representação nos é
oferecido como uma resposta final a qualquer possibilidade de organização
politica. A república dita democrática seria a única forma de organização viável;
algo inevitável e uma alternativa a ditadura.
O que a vida nos impõe é o
sentimento de que não há saída, que é preciso algo diferente que passe por uma nova forma de
federação, por novas formas de organização que combinem estratégias de representação indireta e direta fundamentadas
por uma sofisticação maior do poder local e sua gestão.
Mais do que nunca é preciso
exigir o impossível....
A MISÉRIA DOS PARTIDOS POLÍTICOS E SEU FINANCIAMENTO PÚBLICO
Um em cada três siglas não foi
capaz de demonstrar a lisura de suas contas junto ao TSE. Em outras palavras, o
fundo eleitoral aprovado na ultima pseudo reforma política, irá liberar
recursos para pelo menos nove partidos caloteiros eleitoreiros ( PT, PSDB, PR,
PPS. PCB, PCO, PRTB, PSL e PTN). Esta é
mais uma pequena amostra do quanto somos todos reféns de um modelo político
viciado e corrupto. E o aumento de verba pública para as maquinas partidárias
tende a piorar a situação, ou seja, a corrupção. As maquinas partidárias não são
transparentes e muito menos democráticas. Pelo contrario, são oligárquicas e
elitistas, representam exclusivamente
seus próprios interesses corporativos e pouco se importam com a coisa pública.
A representação é uma farsa. Nenhum poder institucional representa a população.
Leia mais: https://oglobo.globo.com/brasil/com-17-bilhao-para-usar-em-2018-partidos-tem-contas-reprovadas-21947700#ixzz5EpIFBxvo
stest
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https://oglobo.globo.com/brasil/com-17-bilhao-para-usar-em-2018-partidos-tem-contas-reprovadas-21947700
quarta-feira, 2 de maio de 2018
MILÍCIA E POLITICA
O problema das milícias não é uma questão nova no Rio de Janeiro. Antes de tudo trata-se de uma estratégia de poder construída à sombra da Polícia Militar e com articulações político partidárias. Não se resume a uma pretensa segurança pública privada, mas de uma verdadeira privatização de serviços, tráfico e mesmo roubo. Milícia é crime, mas se legitima e afirma nas entranhas do poder e da vida pública dominando territórios antes assombrados por traficantes. Mas o que realmente mais assombra é a relação perversa entre milícia e política que se cristaliza , inclusive, através do domínio de associações de moradores e ligações com grupos evangélicos.
quinta-feira, 26 de abril de 2018
PSEUDO PSICOLOGIA DO DIZER COTIDIANO
Mesmo as falas inúteis
que povoam nosso cotidiano possuem a desagradável pretensão a seriedade. Nas
situações mais banais, tudo que é dito e compartilhado precisa ser validado pelo
seu reconhecimento como verdade. Mas a verdade aqui não tem o sentido de o
oposto do falso. O discurso apenas demanda a cumplicidade do ouvinte. Eis a dinâmica
de qualquer dialogo cotidiano, seja na mesa de um bar ou em uma reunião de trabalho.
Cumplicidade é o
que cria o efeito de verdade, é sinônimo de respeito e identidade. Estabelece
um vinculo momentâneo entre as partes de um diálogo onde a diferença, quando se
manifesta, é um componente desestabilizador.
Ocorre, assim,
nas situações mais corriqueiras, uma espécie de banalização dos discursos e decadência
dos diálogos.
É para isso que nos
serve ainda a noção de verdade: distinguir os “aliados” dos “adversários”.
quarta-feira, 25 de abril de 2018
QUEM AINDA ACREDITA EM POLÍTICOS OU ELEIÇÕES ?!
Uma coisa realmente rara de se ver no cenário político atualmente é um mínimo de bom senso. Os políticos são tão bitolados pelos seus arranjos privados de poder e influência, por suas negociadas, ambições e prepotencias, que já não fazem ideia do significado da palavra bem comum e interesse público. Obedecem apenas a lógicas corporativas e interesses organizados por máquinas partidárias que funcionam como obscuras empresas ou sindicatos do crime. Não sei como pode ainda existir entre nós aqueles que ainda acreditam que eleições definem ou mudam os rumos da república. A política já não é feita inspirada por qualquer ideal de equidade e justiça. Eleições apenas definam como serão negociados os cargos, como o Estado será repartido entre as oligarquias que se valem do sufrágio para legitimar o domínio de uma pequena minoria privilegiada frente e a uma maioria de anônimos e impotentes eleitores que muito mau entendem o que se passa nestas armas terras tupiniquins.
O FASCISMO CONTEMPORÂNEO
O fascismo contemporâneo não é propriamente uma ideologia, não tem rosto próprio, mas se espalha por toda sociedade como uma espécie de vírus. É a busca de identidade, por segurança, por um ideal de perfeição política e social, seja de esquerda ou direita que hoje alimenta a sombra da barbárie totalitária.
O fascismo agora mora nas boas intenções, na afirmação de um ideal de mundo sem contradições. A ilusão de uma perfeição alcançável, o fanatismo das opiniões particulares, faz acontecer pouco de barbárie em nossas mais cotidianas condições de existência.
terça-feira, 24 de abril de 2018
A DECADÊNCIA DOS POLÍTICOS PROFISSIONAIS
Quanto mais políticos são presos, mas avançamos em direção a construção de uma dignidade da política jamais se quer idealizada.
É fato que a vida pública no Brasil sempre foi coisa de intocáveis, sempre ostentou uma vocação oligárquica. Os políticos profissionais sempre se consideraram acima da sociedade. De um modo bastante autoritário se apresentavam como seus heróis e tutores.
Hoje, ao contrário, após tantos escândalos de corrupção endêmica, é mais do que clara a mediocridade , a canalhice, que define de modo generalizado os ditos predestinados representantes do povo.
SOBRE A BANALIDADE DAS OPINIÕES EM TEMPOS DE PÓS VERDADES
A banalidade das
opiniões politicas, o mimetismo social da pós verdade , transforma a sociedade
em uma espécie de picadeiro onde coletivamente realizamos o triste espetáculo
das soluções ideais. Todo mundo parece ter uma verdade para salvar o mundo de
seu natural desastre. É como se não fossemos todos agentes do desastre, seja
por ação ou omissão. A doença da razão e das utopias concretas do “deveria ser
assim” possui variações suficientes para dar conta de todos os gostos. Talvez só
percebamos que tudo não passa da conveniência de um ilusão quando for
definitivamente tarde demais para todos nós. Nestes tempos de crise da
representação e de hiper realidade ,onde o mais importante é ter uma opinião do
que pensar, nada sustenta qualquer esperança seja a esquerda ou a direita o horizonte é o deserto.
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