segunda-feira, 7 de maio de 2018

O BRASIL E A HERANÇA DE MAIO DE 1968

Em maio de 1968, na contra mão da primavera libertária que reinventada a cultura ocidental, o Brasil era prisioneiro de uma bolha nacionalista autoritária. Tanto do ponto de vista do discurso oficial da ditadura, quanto por parte da oposição de esquerda defensora de um nacional desenvolvimentismo. 

Talvez só em 2013 os ventos de 1968 sobraram por aqui por um curto e atrasado período. Mas foi o suficiente para semear horizontes e novas perspectivas que talvez algum dia germinem.

CETICISMO CÍVICO

Partidos políticos funcionam como organizações criminosas. Políticos são movidos à negociatas, privilégios e propinas. Todo mundo sabe. Mas ninguém grita.

No fundo, há certa tolerância em relação a corrupção. Tanto que o escândalo não virá protesto, indignação. Ninguém espera nada diferente da elite dirigente ou da máquina pública.
Por isso as pessoas ainda votam.

Julgam não ter outra escolha. Não acreditam em mudanças efetivas na atual é miserável ordem das coisas.

O FALSO OTIMISMO DO DISCURSO MIDIÁTICO

As crônicas jornalísticas sobre a situação política tupiniquim, tão farta na imprensa falada e escrita, registra apenas o midiático espetáculo midiático dos escândalos de corrupção, a mediocridade dos políticos e os absurdos de um senso comum tacanho que oscila entre a indiferença e o fanatismo de direita e esquerda. Impera sempre a retórica vazia de um futuro sem tantas contradições que , paradoxalmente, nasça da ordem falida  republicana e oligárquica da qual somos vítimas e reféns. Assim, apontam o caminho das ilusões eleitorais e das soluções de gabinete. Insinuam que o poder nos salvará do poder. Mas quem ainda é tão idiota para aceitar tal disparate midiático?

CRISE DA REPRESENTAÇÃO E A FALÊNCIA DA REPUBLICA



Nos dias de hoje, graças em grande parte as novas sensibilidades e codificações do real proporcionadas pela tecnologia digital, a ideia de participação politica deixou de ser monopolizada pela relação cidadão X partido ou representantes X representados. Poderíamos dizer, sem qualquer pretensão conclusiva, que há um redimensionamento da representação que já não passa necessariamente por agenciamentos coletivos institucionais. Pelo contrário, já não levamos muito a serio as soluções institucionais e verticais oferecidas pelos governos e suas maquinas partidárias.

 Há, portanto, uma crise do engajamento cívico, da própria esfera pública, cada vez mais reduzida a administração das coisas como uma categoria técnico/pragmática, algo reservado ao domínio de especialistas ou burocratas. Este discurso de saber/poder e apologia a autoridade dos especialistas, explica um pouco o desgaste dos políticos que, geralmente, são especialistas unicamente na arte de defender seus próprios interesses. Há mesmo um esvaziamento do próprio politico como esfera onde se produz a gestão dos assuntos públicos sem a interferência dos apetites privados. Por outro lado, isso não tem gerado, até agora, uma contra partida da sociedade, no sentido de sua auto organização e mobilização em torno de temas pontuais capazes de introduzir mudanças. Observa-se, ao contrário, um sentimento de dispersão, de desinteresse dos assuntos públicos. Afinal, o jogo da representação nos é oferecido como uma resposta final a qualquer possibilidade de organização politica. A república dita democrática seria a única forma de organização viável; algo inevitável e uma alternativa a ditadura.
O que a vida nos impõe é o sentimento de que não há saída, que é preciso  algo diferente que passe por uma nova forma de federação, por novas formas de organização que combinem estratégias de  representação indireta e direta fundamentadas por uma sofisticação maior do poder local e sua gestão.

Mais do que nunca é preciso exigir o impossível....  


A MISÉRIA DOS PARTIDOS POLÍTICOS E SEU FINANCIAMENTO PÚBLICO


Um em cada três siglas não foi capaz de demonstrar a lisura de suas contas junto ao TSE. Em outras palavras, o fundo eleitoral aprovado na ultima pseudo reforma política, irá liberar recursos para pelo menos nove partidos caloteiros eleitoreiros ( PT, PSDB, PR, PPS. PCB, PCO, PRTB, PSL e PTN).  Esta é mais uma pequena amostra do quanto somos todos reféns de um modelo político viciado e corrupto. E o aumento de verba pública para as maquinas partidárias tende a piorar a situação, ou seja, a corrupção. As maquinas partidárias não são transparentes e muito menos democráticas. Pelo contrario, são oligárquicas e elitistas, representam exclusivamente seus próprios interesses corporativos e pouco se importam com a coisa pública. A representação é uma farsa. Nenhum poder institucional representa a população.



https://oglobo.globo.com/brasil/com-17-bilhao-para-usar-em-2018-partidos-tem-contas-reprovadas-21947700

quarta-feira, 2 de maio de 2018

MILÍCIA E POLITICA

O problema das milícias não é uma questão nova no Rio de Janeiro.  Antes de tudo trata-se de uma estratégia de poder construída à sombra da Polícia Militar e com articulações político partidárias. Não se resume a uma pretensa segurança pública privada, mas de uma verdadeira privatização de serviços, tráfico e mesmo roubo. Milícia é crime, mas se legitima e afirma nas entranhas do poder e da vida pública dominando territórios antes assombrados por traficantes.  Mas o que realmente mais assombra é a relação perversa entre milícia e política que se cristaliza , inclusive, através do domínio de associações de moradores e ligações com grupos evangélicos.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

PSEUDO PSICOLOGIA DO DIZER COTIDIANO


Mesmo as falas inúteis que povoam nosso cotidiano possuem a desagradável pretensão a seriedade. Nas situações mais banais, tudo que é dito e compartilhado precisa ser validado pelo seu reconhecimento como verdade. Mas a verdade aqui não tem o sentido de o oposto do falso. O discurso apenas demanda a cumplicidade do ouvinte. Eis a dinâmica de qualquer dialogo cotidiano, seja na mesa de um bar ou em uma reunião de trabalho.

Cumplicidade é o que cria o efeito de verdade, é sinônimo de respeito e identidade. Estabelece um vinculo momentâneo entre as partes de um diálogo onde a diferença, quando se manifesta, é um componente desestabilizador.

Ocorre, assim, nas situações mais corriqueiras, uma espécie de banalização dos discursos e decadência dos diálogos.
É para isso que nos serve ainda a noção de verdade: distinguir os “aliados” dos “adversários”.



quarta-feira, 25 de abril de 2018

QUEM AINDA ACREDITA EM POLÍTICOS OU ELEIÇÕES ?!



Uma coisa realmente rara de se ver no cenário político atualmente é um mínimo de bom senso. Os políticos são tão bitolados pelos seus arranjos privados de poder e influência, por suas negociadas, ambições e prepotencias, que já não fazem ideia do significado da palavra bem comum e interesse público. Obedecem apenas a lógicas corporativas e interesses organizados por máquinas partidárias que funcionam como obscuras empresas ou sindicatos do crime. Não sei como pode ainda existir entre nós aqueles que ainda acreditam que eleições definem ou mudam os rumos da república. A política já não é feita inspirada por qualquer ideal de equidade e justiça. Eleições apenas definam como serão negociados os cargos, como o Estado será repartido entre as oligarquias que se valem do sufrágio para legitimar o domínio de uma pequena minoria privilegiada frente e a uma maioria de anônimos e impotentes eleitores que muito mau entendem o que se passa nestas armas terras tupiniquins.

O FASCISMO CONTEMPORÂNEO


O fascismo contemporâneo não é propriamente uma ideologia, não tem rosto próprio, mas se espalha por toda sociedade como uma espécie de vírus. É a busca de identidade, por segurança, por um ideal de perfeição política e social, seja de esquerda ou direita que hoje alimenta a sombra da barbárie totalitária.

O fascismo agora mora nas boas intenções, na afirmação de um ideal de mundo sem contradições. A ilusão de uma perfeição alcançável, o fanatismo das opiniões particulares,  faz acontecer pouco de barbárie em nossas mais cotidianas condições de existência.

terça-feira, 24 de abril de 2018

A DECADÊNCIA DOS POLÍTICOS PROFISSIONAIS

Quanto mais políticos são presos, mas avançamos em direção a construção de uma dignidade da política jamais se quer idealizada.

É fato que a vida pública no Brasil sempre foi coisa de intocáveis, sempre ostentou uma vocação oligárquica. Os políticos profissionais sempre se consideraram acima da sociedade. De um modo bastante autoritário se apresentavam como seus heróis e tutores. 

Hoje, ao contrário, após tantos escândalos de corrupção endêmica, é mais do que clara a mediocridade , a canalhice, que define de modo generalizado os ditos predestinados representantes do povo.

SOBRE A BANALIDADE DAS OPINIÕES EM TEMPOS DE PÓS VERDADES


A banalidade das opiniões politicas, o mimetismo social da pós verdade , transforma a sociedade em uma espécie de picadeiro onde coletivamente realizamos o triste espetáculo das soluções ideais. Todo mundo parece ter uma verdade para salvar o mundo de seu natural desastre. É como se não fossemos todos agentes do desastre, seja por ação ou omissão. A doença da razão e das utopias concretas do “deveria ser assim” possui variações suficientes para dar conta de todos os gostos. Talvez só percebamos que tudo não passa da conveniência de um ilusão quando for definitivamente tarde demais para todos nós. Nestes tempos de crise da representação e de hiper realidade ,onde o mais importante é ter uma opinião do que pensar, nada sustenta qualquer esperança seja a esquerda ou a direita o horizonte é o deserto.