segunda-feira, 4 de junho de 2018

O PRESENTE NÃO É PARA SEMPRE

Não sou movido pelo delírio de qualquer modelo ideal de sociedade. Sei que a vida não é feita de idealismo ou paixões abstratas. O mundo não é definido por boas intenções. 

Apenas abomino os fatos e me indigno com a realidade,  com o modo como tudo nos acontece é monstruosamente perverso. Somos reféns de insanidade domesticadas e banalizada pela fantasia do possível.

Acredito no futuro como a possibilidade do novo, do diferente e estranho. Recuso todo conformismo imediatista que faz do presente um absoluto sem solução.

Um dia nada será como existe agora. Seja para o melhor ou para o pior, a vida é constante mudança.

domingo, 3 de junho de 2018

ANARQUIA E SUBJETIVIDADE

E no fundo tudo se resume nisso: não se trata de estabelecer um contra poder que, cujo vitorioso, se tornaria um equivalente daquilo que combateu, uma nova norma. Trata-se, ao contrário, de não jogar o jogo autoritário ao qual estamos histórica e culturalmente condicionados. Eis o sentido mais genuíno de contracultura. É preciso experimentar novas estratégias de subjetivação que não nos reduza a sujeitos de qualquer verdade.

A liberdade é um modo de experimentar e significar o real sem compromisso com qualquer saber sedentário. Ela pressupõe improviso, criatividade e um exercício constante da imaginação e do desejo.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

AINDA SOBRE A GREVE DOS CAMINHONEIROS

Tanto o caos do desabastecimento, quanto as polêmicas políticas e ideológicas envolvendo a greve dos caminhoneiros, ocorrida nestas últimas semanas de maio, contribuíram para fazer do episódio um momento singular. Talvez um dos mais decisivos  da crise política institucional que define o país desde as jornadas de junho de 2013, passando pelo inicio da operação lava jato em 2014 , desdobrando-se em um impeachment presidencial e na generalização da desconfiança da sociedade em relação aos profissionais da política.

A polaridade ideológica, até então dominante,  assim como o já impopular governo Temer, foram abalados pelas incertezas abertas por uma greve que quase parou o país e expôs a fragilidade de uma república doente. 

O movimento dos caminhoneiros teve o mérito de desestabilizar certezas e lugares comuns. Pela primeira vez o movimento social apresentou-se como um potencial quarto poder capaz de abalar o status quo, seja situacionista ou oposicionista, e abrir a possibilidade de situações novas. Em contar partida, em lugar de uma mobilização popular e da convergência de todos os descontentamentos coletivos, o que assistimos foi o mais tosco fisiologismo de uma sociedade tão corrupta quanto os políticos que tem. Uma sociedade que tudo aceita para manter a rotina, de suas mazelas.

terça-feira, 29 de maio de 2018

SOBRE O FUTURO

Não se inventa o futuro apostando no passado. O novo é sempre o inesperado, o intempestivo, o fora do tempo. 

Quem não sabe o devir não faz ideia do acontecer da vida, vive de fórmulas mortas e imaginações desertas. 

segunda-feira, 28 de maio de 2018

O EQUIVOCO ESQUERDISTA DIANTE DA GREVE DOS CAMINHONEIROS




Apesar de em um primeiro momento os empresários terem exercido significativa influencia na pauta reivindicatória dos caminhoneiros, catalisada pelo preço do diesel, o movimento soube afirmar-se a margem das negociações e impor sua própria pauta de forma autônoma.  

Mas o que me interessa aqui é a forma como a greve dos caminhoneiros, e sua queda de braço com o governo, vem sendo representada pelas narrativas de esquerda. Por ser um movimento a margem de influencias politico partidárias, comportando, diga-se de passagem, posicionamentos plurais sobre a conjuntura politica, uma parte da esquerda optou pela desqualificação do movimento e sua associação em broco com uma pauta conservadora. Acusam os caminhoneiros de defender intervenção militar ou simpatizarem com Bolsonaro.

 Na verdade também existem caminhoneiros pró lula e  não é possível dizer se algum posicionamento especifico possui relativa hegemonia. O fato é que tal questão não afeta o movimento grevista e nem mesmo define suas bandeiras ou pautas.

É lamentável ver uma esquerda desqualificando uma luta de trabalhadores pelo simples  fato de não corroborar ou servir de correia de transmissão de sua duvidosa politica eleitoreira. Mas o fato é que o PT e seus similares já perderam faz tempo qualquer relação com politica de base. Importam-se apenas em tomar o Estado pelo voto e instrumentaliza-lo para o fortalecimento de suas maquinas partidárias e caciques políticos. Em termos práticos, os partidos de esquerda sonham apenas com um capitalismo de Estado hoje caduco mas ainda capaz de viabilizar alternativas populistas. Mas em tempos de crise de representação e decadência das velhas formas orgânicas e institucionais de fazer politica, não há muito o que esperar dos partidos de esquerda.


sábado, 26 de maio de 2018

A LONGA ESPERA DE UM NOVO MOVIMENTO SOCIAL

Ao longo dos anos 2000 a sociedade civil organizada ( categoria que já caiu em desuso) perdeu qualquer protagonismo no cenário político nacional. Situação que se agravou durante a era PT , quando a cooptação fisiológica deu o tom da relação entre Estado e movimentos sociais. 

Foi apenas em 2013 que tal situação de marasmo e conformismo deu sinal de desgaste de novos ares, apontando para uma nova cultura juvenil e uma crítica radical das organizações e representações tradicionais, como sindicatos, UNE, etc.

Mas passada a primavera das jornadas de junho, ficamos na promessa do novo que ainda se insinua de forma episódica. A paralisação dos caminhoneiros deste ano é um bom exemplo. Em meio ao caos político atual, da falência da esquerda institucional e da velha cultura sindical, ainda aguardamos pelo futuro, por novas formas de organização e expressão das mais autênticas demandas da sociedade organizada.

A POLÍTICA ACIMA DO INTERESSE PÚBLICO

O grande paradoxo tupiniquim  é o fato  da política se colocar por aqui acima do bem comum e do interesse público.

Os autores coletivos se interessam apenas pela formação de governos, bancadas no parlamento e palavroso demagogo ideológico que apenas máscara a lógica do poder pelo poder.

Os politicamente engajados por força de ideologias de esquerda e direita do século passado comportam-se como macacos em uma jaula. Gritam e esperneiam palavras de ordem sem nada dizer. Tudo para manter o caduco jogo do poder.

CONTRA A LEI E A ORDEM

A garantia da lei e da ordem é a mais nefasta estratégia de manutenção da sujeição.

Afinal, a quem serve a lei e a ordem a não ser a uma minoria que vive às custas de um passado sempre atualizado?


Aqueles que a ameaçam, muitas vezes, são inspirados pelo futuro, por vislumbres de liberdade contra o conservadorismo das coisas.

Os que amam o futuro não devem temer um pouco de caos nem recuar diante da autoridade dos representantes das caduquices de Estado.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

CAOS URBANO


As paisagens dos grandes centros urbanos são caóticas. A má qualidade dos transportes públicos torna uma aventura circular pelos  espaços urbanos. Há uma série de outras interdições estruturais que variam de acordo com a metrópole da qual nos ocupamos. 

Em  cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo,  o território é recortado por zonas de insegurança pública. Viver a cidade é um risco constante. Isso torna impossível a construção de uma cultura cidadã já que habitamos espaços sociais onde os sinais de barbárie são maiores do que os de civilidade.

Superada à racionalidade modernista dos arquitetos do passado, que julgavam-se capazes de disciplinar a urbe segundo seus ideias delirantes, hoje temos consciência que o caos desenha o espaço urbano.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

QUANDO A POLÍTICA VAI A CADEIA


A condenação de  Luiz Hilario Mula da Silva e de Eduardo Azedo Azeredo, um ex presidente e um ex governador,  revelam que a cadeia não é a mesma para os políticos e o cidadão comum. A marca do poder garante privilégios no cárcere.

Eis mais um exemplo de como os políticos profissionais se tornaram uma espécie de casta social. Seu julgamento e punição segue ritos e punições diferenciadas.

Existe mesmo uma certa condescendência em relação a corrupção na vida pública. Mesmo quando ela é punida. Afinal, se o judiciário representa o poder, não deve surpreender sua dificuldade para punir sem pudor os crimes do poder.